CONVERSAs DE UM LUGAR

Um Lugar de Si investiga o que significa ocupar-se.
Aqui ficam as conversas que nascem desse encontro: sobre errâncias, lugares e não-lugares, e sobre o que se abre quando a gente se encontra com o outro e consigo mesma. Em texto e fotografia.


Bia da Bits to Brands, Bits to Brands da Bia. Nesta conversa falamos sobre o que diferencia uma da outra (e se diferencia). Identidade, caminhos profissionais, inteligência artificial, dilemas e desafios de sair da sua cidade natal para uma cidade como São Paulo, sonhos, inseguranças ainda existentes e um tanto de abas que fomos abrindo (e não necessariamente fechamos com respostas)
Giu é uma artista de muitos caminhos. Ela enxerga a sua arte como semente: pequena, mas potente. Lisboa marcou sua primeira sensação de pertencimento. Foi longe do seu (nosso) país, mas perto de si mesma, que ela se sentiu ocupando de fato um lugar no mundo. E pela primeira vez a sua arte (e a sua vida?) ganhou traço, imensidão e cor. O seu propósito é simples e profundo: atravessar corações.

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Me flagrei sem saber responder à maioria das perguntas que outrora tinha convicção. Aquelas grandes perguntas: onde quero morar? Como quero viver? Quero casar novamente? Desejo ter filhos? Possuo algum sonho profissional? Quero escrever um livro?
Há algumas travessias que são como desertos, e precisamos atravessar sós, apesar da rede, do apoio, da família, amigos, das pessoas que podemos contar ao redor. Tem caminhada que é só nossa. E ninguém pode fazer por nós. Esta foi uma delas.
Aceitar quem eu sou, as minhas escolhas, o que eu quero pra mim. Querer poder me esticar, sem me rasgar, sem me encolher ou me alongar demais, mas ser do meu próprio tamanho.
Enquanto vivia o período mais difícil e desestruturante da minha vida até aqui, também desbravei um dos mais bonitos. Enquanto me perguntava se seria capaz de atravessar aqueles momentos nebulosos, onde o corpo sucumbia e a mente duvidava, acessei uma profundidade e uma poesia que desconhecia.
Não tem caminho nem trajetória mais significativa do que aquela que nos devolve, pouco a pouco, para nós mesmas. A vida que vale a pena ser vivida, pra mim, só é possível desta maneira:
O desejo de possuir um espaço, de forma literal, onde sentisse caber de forma inteira: para expandir, aprofundar, transformar e permanecer, com todas as minhas expressões e facetas.

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