Me flagrei sem saber responder à maioria das perguntas que outrora tinha convicção. Aquelas grandes perguntas: onde quero morar? Como quero viver? Quero casar novamente? Desejo ter filhos? Possuo algum sonho profissional? Quero escrever um livro?
De forma equivocada, pensei que a maior lição que eu deveria aprender nesta minha existência seria a de me instalar no momento presente. Isso de não permitir que a mente escape para outro lugar que não o aqui-agora, sabe? Não viver de passado, nem de futuro.
Viver de hoje. Do que é concreto, do que existe, de tudo o que é palpável e real. Experimentei 2025 dessa maneira, enxergando somente um palmo à frente do meu nariz. O suficiente para “fazer a próxima coisa”, sem pensar tanto. (Já viveu algo parecido aí?).
Revisitei tudo. Tudo mesmo.
Sempre foi um desafio deixar de lado o que entendo como “futuros possíveis”. Nem falo de ansiedade (bora falar de outra coisa hoje?). Sou dessas que sonha bastante e admito que, às vezes, utilizo os meus pensamentos como subterfúgio. Eu e eles somos excelentes companhias. (Na linguagem coloquial, eu viajo na maionese, me desligo completamente). Uma forma de escapar, às vezes. Contudo esta é só a camada mais superficial da coisa.
“Viver não é coragem, saber que se vive é a coragem” Clarice Lispector.
Um outro jeito de ver é que me abasteço do meu mundo interno não para escapar, mas para encontrar. A mim, ao outro, a algo, a alguém. Ter para onde caminhar (e saber que se tem para onde) é o que me dá sentido e perspectiva.
Eu precisei me instalar no “hoje” para seguir em frente, e isso ampliou a minha capacidade de ancorar sentido no “agora”, aprofundar relações, me reconectar com o cotidiano. Reencontrar prazer no simples e corriqueiro. Um passo por vez. Brinco que fiz as pazes com o tempo. Afirmei essa frase algumas vezes.
Essa agonia de dar “checks” como se a vida fosse uma lista de tarefas a cumprir, de marcos a alcançar, ou de problemas a resolver. Não é. Alcancei um estado mais amplo de aceitação. Usufruto, tranquilidade, e confiança de que “tudo tem o seu tempo”, que as coisas se desenrolam, e que tudo realmente passa. O bom e o ruim.
(Novidade pra ninguém isso, né? Quemmmm diria? Todo mundo diria. Mas saber e sentir são coisas distintas. Eu sabia. Não sentia).
A vida, apesar de curta, é longa.Tem tempo suficiente pra gente realizar as coisas que queremos. Bora. Dá tempo!
“Isso é muito do processo de viver. Então, não dá para você simplesmente reduzir tudo que a gente está vivendo a um estado presente. O nosso movimento na direção do futuro desconhecido é parte essencial do que todo esse espetáculo que é estar vivo realmente é.” Elefantes na Neblina, ep. 125.
Apesar disso, foi quando me vi capaz de voltar a sonhar, pensar looonnnge, grande, e de ambicionar o novo, de novo, desejando novos rumos e possibilidades que eu percebi estar cicatrizando. Voltando ao “estado natural das coisas”.
Até a próxima,
Beatriz.