23.01.26

Me flagrei sem saber responder à maioria das perguntas que outrora tinha convicção. Aquelas grandes perguntas: onde quero morar? Como quero viver? Quero casar novamente? Desejo ter filhos? Possuo algum sonho profissional? Quero escrever um livro?

De forma equivocada, pensei que a maior lição que eu deveria aprender nesta minha existência seria a de me instalar no momento presente. Isso de não permitir que a mente escape para outro lugar que não o aqui-agora, sabe? Não viver de passado, nem de futuro.

Viver de hoje. Do que é concreto, do que existe, de tudo o que é palpável e real. Experimentei 2025 dessa maneira, enxergando somente um palmo à frente do meu nariz. O suficiente para “fazer a próxima coisa”, sem pensar tanto. (Já viveu algo parecido aí?).

Me flagrei sem saber responder à maioria das perguntas que outrora tinha convicção. Aquelas grandes perguntas: onde quero morar? Como quero viver? Quero casar novamente? Desejo ter filhos? Possuo algum sonho profissional? Quero escrever um livro?

Revisitei tudo. Tudo mesmo.

Sempre foi um desafio deixar de lado o que entendo como “futuros possíveis”. Nem falo de ansiedade (bora falar de outra coisa hoje?). Sou dessas que sonha bastante e admito que, às vezes, utilizo os meus pensamentos como subterfúgio. Eu e eles somos excelentes companhias. (Na linguagem coloquial, eu viajo na maionese, me desligo completamente). Uma forma de escapar, às vezes. Contudo esta é só a camada mais superficial da coisa.

“Viver não é coragem, saber que se vive é a coragem” Clarice Lispector.

Um outro jeito de ver é que me abasteço do meu mundo interno não para escapar, mas para encontrar. A mim, ao outro, a algo, a alguém. Ter para onde caminhar (e saber que se tem para onde) é o que me dá sentido e perspectiva.

Eu precisei me instalar no “hoje” para seguir em frente, e isso ampliou a minha capacidade de ancorar sentido no “agora”, aprofundar relações, me reconectar com o cotidiano. Reencontrar prazer no simples e corriqueiro. Um passo por vez. Brinco que fiz as pazes com o tempo. Afirmei essa frase algumas vezes.

Senti que a urgência foi embora do meu corpo.

Essa agonia de dar “checks” como se a vida fosse uma lista de tarefas a cumprir, de marcos a alcançar, ou de problemas a resolver. Não é. Alcancei um estado mais amplo de aceitação. Usufruto, tranquilidade, e confiança de que “tudo tem o seu tempo”, que as coisas se desenrolam, e que tudo realmente passa. O bom e o ruim.

(Novidade pra ninguém isso, né? Quemmmm diria? Todo mundo diria. Mas saber e sentir são coisas distintas. Eu sabia. Não sentia).

A vida, apesar de curta, é longa.Tem tempo suficiente pra gente realizar as coisas que queremos. Bora. Dá tempo!

“Isso é muito do processo de viver. Então, não dá para você simplesmente reduzir tudo que a gente está vivendo a um estado presente. O nosso movimento na direção do futuro desconhecido é parte essencial do que todo esse espetáculo que é estar vivo realmente é.” Elefantes na Neblina, ep. 125.

Apesar disso, foi quando me vi capaz de voltar a sonhar, pensar looonnnge, grande, e de ambicionar o novo, de novo, desejando novos rumos e possibilidades que eu percebi estar cicatrizando. Voltando ao “estado natural das coisas”.

Estava equivocada. Viver no presente importa. Mas ser capaz de sonhar e esperançar o futuro também.

Até a próxima,
Beatriz.